Page 437 - Uberaba-200 anos no coracao do Brasil
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Atendendo as circunstancias anormais em que ocorre no município, não só pela
escassez da colheita, como pelo extraordinário consumo dos gêneros alimentícios,
indico que supliquem editais obrigando os vendedores de gêneros a conduzirem ao
Largo da Matriz, conservando por 48 horas, para venderem ao povo sob as penas do
Artigo 167 das Posturas Municipais. (CAM. L1, 15/07/1865, pp. 213 v, 214 e 214 v). Acervo
da Superintendência do Arquivo Público de Uberaba
De acordo com os vereadores, a indústria pastoril e bovina existia no município
em grande escala, não só proveniente da produção municipal, como da importação de
vários lugares. Sobre a infraestrutura, os parlamentares responderam que não havia no
município institutos, escolas agrícolas, jardins botânicos e nem passeios públicos. Havia
significante produção vinícola e serração de madeiras. (CAM. L.2, pp.60, 60 v). Acervo
da Superintendência do Arquivo Público de Uberaba
Mesmo sendo a criação bovina, naquele período, considerada pelos vereadores em larga escala, a pro-
dução não tinha qualidade. A agricultura também necessitava de novas técnicas. Políticos e criadores estavam
cientes da necessidade e sabiam que era preciso formar profissionais da área para alcançar este objetivo. Ha-
via a preocupação com o melhoramento genético por meio de cruzamentos. Eram tentativas de melhorar as
raças bovinas, com a finalidade de chegar a um exemplar mais resistente ao clima e ao solo de Uberaba. Em
dezembro de 1891 e setembro de 1892, criadores da região participaram de exposições ocorridas em Chi-
cago, nos Estados Unidos, a fim de conhecer novas técnicas de pecuária e agricultura. (CAM. 3, pp. 98, 111).
A imprensa de Uberaba registrava frequentemente as condições da indústria pastoril. Nota-se que a
preocupação com o melhoramento genético era antiga.
A principal industria desta região, a pastoril, tem prosperado sensivelmente pelo
crusamento das raças existentes entre si e com indivíduos de outras raças importadas
por creadores intelligentes. Embora os preços a que tem athingido o gado não hajam
sido tanto quanto seria desejável, compensadores dos esforços dos creadores, (isto
devido ás despesas que fazem com o transporte delle para os pontos de venda),
contudo essa industria prospera e se aperfeiçoará cada vez mais pela aptidão dos
nossos campos para creação do gado (GAZETA DE UBERABA 31/12/1888, p.1 Acervo
Superintendência do arquivo Público de Uberaba
Em portaria da Presidência da Província, de 13 de março de 1869, foi publicado o prospecto para fun-
dação de uma Escola de Agricultura na Colônia de Dom Pedro II, em Juiz de Fora, MG. Dizia que na inaugu-
ração daquela instituição educacional se realizaria, também, uma exposição do setor. A Câmara solicitou que
convidassem fazendeiros de Uberaba para concorrer com seus produtos na feira.
O governo de Minas Gerais concluiu que as melhorias da qualidade do gado e da agricultura só progre-
diriam a partir da ação de profissionais da área, preparados para atuar na pesquisa. Logo veio a preocupação
com a criação de cursos agrícolas. Iniciou-se o processo de institucionalização da pesquisa agropecuária no
Brasil e, em momentos diferentes, em outros países. Esse processo foi decorrente do esforço dos agricultores
em encontrar plantas mais produtivas e animais adaptados às condições de solo e clima de cada região no
intuito de aumentar seus lucros.
A ideia de escolas de agropecuária em Uberaba começou a surgir em 1874, como possibilidade de
melhoramentos na área. Já havia a intenção de criar, durante o governo monárquico, um instituto destina-
do à formação de técnicos para o trabalho na lavoura. Em 1874, o presidente da Província pediu à Câmara
Municipal que nomeasse uma comissão composta de cidadãos compromissados com a causa pública para
criar escolas práticas de preparação de jovens para a cultura do solo e serviços de lavoura. Propôs, também,
que esses grupos arrecadassem donativos com a finalidade de comprar uma escola de agricultura. Três anos
depois o governo do Estado solicitou informações relativas à situação da agricultura e da indústria pastoril
e agrícola no município, e também dos estabelecimentos, institutos e escolas agrícolas, jardins botânicos e
passeios públicos que por aqui houvesse.
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