Page 419 - Uberaba-200 anos no coracao do Brasil
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Muitos imigrantes vieram espontaneamente pelos trilhos da Mogiana, chamados por parentes aqui ra-
dicados. Essa imigração ficou conhecida como “fluxo paulista”.
Fundaram-se em Uberaba diversas instituições de apoio aos imigrantes, algumas presentes até hoje. Em
relação aos italianos, fundaram-se Fratelanzza Italiana e União Francesco Carrara.
Há destaque para a influência da arquitetura dos imigrantes
José Severino Soares / Superintendência do Arquivo Público de Uberaba Calábria em outubro de 1889, Santos Guido chegou em Ubera-
nos prédios da cidade, especialmente pela influência do italiano
Santos Guido. Nascido na pequena vila de Scigliano, na região da
ba ainda muito jovem. Em 1913, com pouco mais de 20 anos de
idade, foi um dos fundadores da Liga Operária local – provavel-
mente a primeira das iniciativas associacionistas que marcaram a
sua vida em nossa cidade. Ele foi um dos fundadores e primeiro
presidente do time de futebol Palestra Itália de Uberaba, em 1918,
desativado posteriormente. Nas décadas seguintes, trabalhou pela
instalação da Associação Comercial e da liga “Fratelanza Itália”. Foi
ainda membro do Rotary Clube e um da Loja Maçônica “Estrela
Uberabense”.
No entanto, foi na construção civil que ele mais se destacou.
Engenheiro e arquiteto autodidata, operário, marceneiro e dono de
lojas de materiais de construção, Guido já era, no início da década
de 1930, o mais renomado construtor da cidade. Deixou sua marca
nas principais edificações da cidade: Câmara Municipal, Santa Casa
de Misericórdia, a Fábrica de Tecidos do São Benedito, os prédios
do Senai/Fiemg, a capela do Colégio Nossa Senhora das Dores, a
sede da Associação Comercial, o Asilo Santo Antônio e o Sanatório
Espírita. Todos esses prédios – entre centenas de outros menos
Eluiza, filha de imigrantes italianos. Ano 1926 conhecidos – têm a mão do imigrante italiano Santos Guido.
Os portugueses e espanhóis vieram através da imigração subvencionada, em 1895, para a mineração
de diamantes em Nova Lima e Estrela do Sul. Depois disso, um grande número transferiu-se para Uberaba e
muitos acabaram se dedicando ao trabalho com padarias, açougues e outras atividades comerciais, além de
cultivar uvas na região.
Uma das mais significativas correntes imigratórias foi a portuguesa. No começo do século XX, apro-
xidamente 25 mil portugueses por ano chegavam ao Brasil. Os dados sobre os imigrantes mostram que os
trabalhadores agrícolas sem terra formavam o grupo mais numeroso de portugueses que partiam para o
Brasil, correspondendo a 50,3% dos que chegaram entre os anos de 1906 e 1913. Apenas 10,6% de pequenos
proprietários rurais chegaram em 1906 e, neste mesmo ano, desembarcaram 15,8% de artesões portugueses.
Curioso é que foram poucos os imigrantes comerciantes. Antes de emigrar somavam apenas 1,7%
em 1906 e 1,6% em 1913, embora depois que chegaram ao Brasil, muitos dos portugueses se tornaram co-
merciantes, dedicando-se ao trabalho com padarias, açougues e outras atividades, além de cultivar uvas na
região. Em relação a essa corrente imigratória a cidade foi beneficiada com a fundação da Sociedade Portu-
guesa de Beneficência 1º de dezembro, que resultou na fundação do Hospital Beneficência Portuguesa.
Os espanhóis instalaram a Sociedade Española de Socorros Mútuos e a Sociedade Española Mateo
Sagasta e participaram da construção do Lar Espírita e do Sanatório Espírita. O objetivo dessas associações
era de fortalecer a unidade entre os compatriotas, promover a integração com a população urbana local,
sobretudo através da promoção de festas, atividades culturais e ações de assistência social. Atacados pela
imprensa e pelas classes conservadoras, os estrangeiros, inteligentemente, se esforçavam para conquistar a
simpatia dos habitantes urbanos e, assim, fortalecer laços sociais.
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