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IMIGRAÇÃO ESTRANGEIRA PARA
UBERABA
Luiz Henrique Caetano Cellurale
Até o final do século XIX Minas Gerais era o estado mais populoso do Brasil, com população acima
de três milhões de habitantes. A produção agropecuária era considerável, o que atraia muitos investimentos
econômicos, fator de crescimento populacional pela necessidade do braço da mão de obra para lavoura.
Dois acontecimentos marcaram o final da década de 1880: a abolição da escravatura e a proclamação
da República. Ambos tiveram reflexos na implementação de uma política imigratória no Estado de Minas
Gerais.
A abolição, em 1888, resultou numa conjuntura econômica bastante complexa, em decorrência, so-
bretudo, da escassez de mão de obra. Muitos libertos abandonaram as fazendas. A fuga dos recém-libertos,
especialmente para regiões mais dinâmicas, desestabilizou a disponibilidade de mão de obra até então exis-
tente. Quanto ao trabalhador nacional livre e pobre, continuava como sempre esteve: à margem da grande
lavoura, integrado em sua própria economia de pequenas roças, com produção de subsistência ou ligado
a algumas atividades urbanas. Assim, competia à República, instalada em 1889, em meio a essa conjuntura,
tomar providências urgentes. Por outro lado, a instituição do modelo da República Federativa facilitava e per-
mitia a cada estado buscar solução para a carência de braços. No caso mineiro, 1892 foi o ano em que se
iniciou a efetivação de uma política imigratória encetada pelo recente estado de Minas Gerais.
Ao inaugurar-se o regime republicano, os problemas que mais preocuparam os estadistas mineiros
foram: a desorganização do trabalho, devido ao fim da escravatura e a baixa densidade demográfica do terri-
tório, apesar de ser, ainda, o estado mais populoso da Federação. Até a chegada dos imigrantes, a carência de
mão de obra para a lavoura era grave. Fazendeiros alegavam a impossibilidade de contar com o trabalhador
nacional devido à vadiagem e resistência ao trabalho agrícola.
Entre o período de 1892 a 1906, a imigração visou atender a carência de mão de obra para a lavoura
cafeeira. A prosperidade gerada pelo surto cafeeiro animou o poder público a incentivar e proteger a imigra-
ção. Para estimular a entrada do estrangeiro, organizou-se, mediante leis e decretos, a máquina administrati-
va: criou-se a Superintendência, na Europa. Dividiu-se o estado em distritos imigrantistas e reestruturou-se a
hospedaria de Juiz de Fora. Nesse caso, os imigrantes desembarcavam no Rio de Janeiro e, posteriormente,
alojavam-se na Hospedaria Horta Barbosa, na cidade de Juiz de Fora. Em seguida, seguiam de via férrea até
Uberaba, numa distância de 600 quilômetros, que na época eram percorridos em vários dias.
Para facilitar o recebimento e expedição dos imigrantes, o estado foi dividido em cinco distritos. 1º dis-
trito, em Juiz de Fora; 2º distrito, em Leopoldina; 3º distrito, em Saúde (hoje, Dom Silvério), na zona da Mata;
4º distrito, sede em Varginha; 5º distrito, Uberaba. Com isso, chegavam a Uberaba e depois eram conduzidos
para as fazendas em Uberaba ou transferidos para outras cidades, conforme as necessidades dos solicitantes.
As cidades onde se fixaram maiores contingentes foram: Uberaba e Sacramento.
De acordo com o Livro das Atas da Câmara nº 03, página 153 e 154, a Câmara Municipal de Uberaba,
no dia 27 de março de 1894, autorizou a construção de uma hospedaria para imigrantes e fez pedido de qua-
trocentos imigrantes para a lavoura e serviços domésticos. Contudo, até 1896 não havia chegado imigrantes
a Uberaba, devido à epidemia que se proliferou na região de seu desembarque. Por isso, a Câmara Municipal
local suspendeu o deslocamento deles até a hospedaria.
A primeira leva de imigrantes só chegou em março de 1896. Eram 35 famílias, com 173 componentes.
A segunda leva chegou no mesmo ano e constava de 41 famílias contendo 183 pessoas. A terceira leva era
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