Page 418 - Uberaba-200 anos no coracao do Brasil
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composta por 39 famílias, com 159 componentes. Até 1901 chegaram a Uberaba aproximadamente mil imi-
grantes.
Autor não identificado / Memorial do Imigrante. SP
Imigrantes italianos.
A preferência pela vinda de famílias foi preponderante, tanto nos projetos da pequena propriedade
familiar, quanto nos projetos para a demanda de “braços” para a lavoura do café. O contrato com a família
tentava remediar um dos maiores problemas enfrentados pelos proprietários no trato com a mão de obra:
sua instabilidade e a contínua mudança de uma fazenda para outra. Assim, a imigração familiar constituía uma
estratégia que visava arrefecer o nomadismo e assegurar a estabilidade do trabalhador. Por isso, a imigração
familiar foi preponderante e a imigração individual, raríssima.
Antes de 1894 houve pedidos de imigrantes italianos pelo barão de Saramenha, para trabalhar na Fá-
brica de Tecidos Cassú. Pertencendo à Associação Promotora de Imigração, da qual foi presidente, o barão
contratava imigrantes italianos para preencher as necessidades de mão de obra em sua fábrica. Com isso,
chegaram cerca de 100 pessoas, no ano de 1892.
Carlos Andrade, o barão, era diretor do Ban-
co de Minas Gerais. Figura de destaque no cenário
mineiro, enraizado na capital, Ouro Preto, na déca-
da de 1890, adquiriu em Uberaba a Fábrica de Teci- Macedo / Superintendência do Arquivo Público de Uberaba
dos Cassú e estabeleceu, nessa cidade, o primeiro
estabelecimento de crédito, o Banco Mineiro. A fá-
brica, fundada em 1882, pertencia à família Borges
e foi comprada pelo barão de Saramenha, em 1891.
A presença desses trabalhadores permitiu o avanço
das discussões políticas na cidade e a fundação do
Partido Socialista em Uberaba, no ano de 1910, com
ideologia anarquista.
Italianos comemorando a Unificação Italiana em 1914.
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