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O COMÉRCIO EM UBERABA
Eliana Mendonça Marquez Rezende
Thiago Árabe Castejon
COMÉRCIO EM UBERABA NOS SÉCULOS XIX E XX
Eliana Mendonça Marquez Rezende
A preservação da memória é a conservação de informações, vestígios, documentos, crônicas, cartas,
materiais arqueológicos e até da arqueologia funerária, que permitem ao pesquisador atualizar impressões,
imagens ou informações passadas. Significa recuperar os feitos, as ações para continuar a sobreviver, as lem-
branças, os marcos e os rastros do passado. Através da leitura das memórias, quaisquer que elas sejam, “ é
aprender a pensar no caminho deixado pelo outro.” (BOSI, Ecléia . pág. 20)
A lembrança é a sobrevivência do passado e sua recordação. À medida que a envelhescência é visível,
viva e presente no cotidiano, ela nos incentiva o desejo de repetir o gesto, a arte e a prática do ensinar a quem
se interessa.
A recuperação da história de Uberaba nos permite ter uma ideia mais imediata do seu passado, pois
pode-se encontrá-la dobrando as esquinas, descendo as ruas, ouvindo seus ecos no mercado, escutando o re-
picar dos sinos de suas igrejas, observando as velhas paredes dos poucos casarões ainda existentes, seguindo
suas pegadas nas fazendas e nos campos. Atualmente podemos constatar que através de uma modernização
dependente, a destruição e descaracterização da conhecida como Princesa do Sertão, permeiam a política
a as ações para a sua manutenção e preservação histórica. Não pretendo abordar a história do comercio de
Uberaba, no século XIX, recuperando a sua memória apenas através dos seus memorialistas, jornais e revistas
da época. Gostaria de instigar, revivificar e incentivar uma trajetória pouco conhecida da cidade.
Fundada por migrantes originários da região de Desemboque e do sul de Minas Gerais, Uberaba pro-
jeta-se por sua excelente posição geográfica, como entreposto comercial para as regiões do Brasil Central,
atendendo aos objetivos da expansão capitalista.
Localizada na antiga região conhecida como Sertão da Farinha Podre, atual Triângulo Mineiro, fez parte
da capitania de São Paulo até 1748; posteriormente da capitania de Goiás e, em 1816, passou a pertencer à
capitania de Minas Gerais.
Fundada pelo major Antônio Eustáquio da Silva Oliveira, provavelmente em 1808 ou, como querem al-
guns, em 1816 (abordagem nas temáticas anteriores), destacou-se logo como polo estratégico para a região
do Brasil Central, desenvolvendo comércio dinâmico, principalmente para as regiões de Goiás e Mato Grosso.
No início da ocupação de Uberaba a pecuária e a agricultura de subsistência foram as opções econô-
micas que definiram os traços que marcarm a sociedade e a cultura que se formavam. Fazendas imensas,
oriundas de sesmarias, quase sempre doadas ou vendidas, por um preço irrisório. Nessa época, inexistia lei de
terras e, portanto, o valor das mesmas era quase nulo. O gado valia mais que a terra, assim como os produtos
agrícolas, dada a grande a dificuldade de sua comercialização.
Pela sua posição geográfica, Uberaba logo tornou-se ponto de passagem de tropeiros oriundos de Goiás
e Mato Grosso, que enfrentavam a difícil travessia do rio Grande, em direção a Formiga e São João del Rey.
O fazendeiro era, na maioria das vezes, também comerciante, o que possibilitava a concentração de
capital nas mãos desses mesmos fazendeiros. A medida que o comércio se ampliava surgiu a necessidade
de multiplicarem as relações agrícolas e comerciais favorecendo as comunicações mais rápidas e seguras. A
inauguração de vias de comunicação, ligando Uberaba a Goiás e Uberaba ao litoral, incentivaram o desenvol-
vimento do comércio.
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